"A ocorrência me chamou a atenção. Instaurei inquérito para apurar maus-tratos e possível crime patrimonial", disse o delegado. Hoje ele deverá ouvir dois homens e uma mulher sobrinhos das vítimas para saber mais detalhes sobre o caso. Já na segunda-feira, Rolli pretende colher o depoimento de vizinhos das idosas, que teriam escutado gritos das moradoras e suspeitado dos maus-tratos. A cuidadora deverá ser intimada para prestar declarações no mesmo dia. Segundo o titular da delegacia, caso ela não compareça, poderá ter a prisão preventiva solicitada à Justiça. "Também vou ouvir o gerente do banco onde os cheques eram descontados para saber como era o procedimento e a frequência que ela ia na agência."
Na manhã de ontem, a advogada da família,Thereza Rampinelli, entregou ao delegado documentos que podem auxiliar a investigação. Segundo ela, a mulher estaria responsável por cuidar das idosas há cerca de dois anos, mas a suspeita é de que os crimes tenham sido cometidos nos últimos oito meses. "Ela fazia 'maquiagem'. Quando a família ia visitar, as irmãs estavam arrumadas." No apartamento da Santa Rita, conforme Thereza, havia frutas estragadas, remédios vencidos e poucos alimentos. "Elas estão com 20kg, 30kg a menos do que uma pessoa normal na idade delas. Isso é um crime bárbaro. Crianças e idosos são indefesos."
Ainda de acordo com a advogada, há suspeita de que a cuidadora tenha ficado com cartões bancários e talonários de cheques das vítimas, que não foram encontrados. Na segunda-feira, Thereza foi ao banco solicitar o bloqueio das contas de suas clientes e disse ter flagrado a mulher tentando descontar um cheque de R$ 10 mil de uma das idosas. "Ela saiu correndo", contou.
Associação solicita proteção para vítimas
O caso foi descoberto pela família no dia 6, quando vizinhos comunicaram a situação aos sobrinhos, moradores no Rio de Janeiro. Eles relataram que ouviam gritos da irmã mais velha e que a mais nova já estava internada na Santa Casa desde 30 de novembro, com hematoma no olho direito, sem conhecimento da família. Os parentes já haviam desconfiado do fato porque raramente conseguiam falar com as tias, pois a cuidadora costumava dar desculpas para não passar as ligações a elas. O presidente da Associação de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania, Geraldo Henrique Alves, informou ontem estar estarrecido com o caso, que foi encaminhado à Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República. O objetivo, segundo ele, é fazer com que a denúncia seja investigada em âmbito nacional.
A Associação também acionou o Conselho Nacional de Defesa do Idoso, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, a Promotoria de Saúde e a Secretaria de Assistência Social (SAS). "Nossa meta é que haja um acompanhamento psicossocial das duas vítimas e que elas possam ser protegidas pelo Estado, uma vez que a suspeita está em liberdade. Solicitamos ainda que haja a designação de uma equipe especializada de policiais, inclusive delegado, para a condução das investigações."
Segundo a promotora Carolina Andrade Borges de Mattos, a Promotoria da Saúde, Idoso e Deficientes registrou a reportagem da Tribuna e a solicitação da Associação de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania como notícia de fato, permitindo a abertura de medida preliminar. "Vamos expedir ofício à 7ª Vara Cível, solicitando informações sobre a identificação das idosas e dos seus familiares, com a finalidade de solicitar a intervenção do Ministério Público. Ainda vamos solicitar ao Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) a identificação de familiares das vítimas que possam acolhê-las no futuro, além de acompanhar a investigação criminal da ocorrência."
Fonte : Tribuna de Minas
Fonte : Tribuna de Minas
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